segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Folha em Branco

Quando eu olho pra sua vida, me dá uma vontade de escrever minha história.
Um livro aberto com folhas em branco...
Quando olho pra sua falta de diretriz, escrevo minhas metas
Vamos juntos com minhas escolhas certas
E você ri, nem me diz
Escrevo minha história na sua vida
Eu sou meu guia
Eu sou seu guia
E sua vida se resume na minha vida
Seu pensamento será meu coração
Sem preocupação, sigo
Escrevo poemas, histórias...
Você se emociona, te consolo em meu colo
Tudo que sempre quis
E você pensa que é tudo verdade
Desculpe meu amor, mas criei tudo por causa da minha insegurança...
Não quero histórias reais
Não quero você vivendo em paz
Escrevo em todas as páginas
Não há o que temer, você ainda não viveu nada
Talvez nunca te direi a verdade
Isso é a nossa realidade
Nada mais importa
Quero suas folhas em branco
Para escrever o que eu quiser sobre mim, você e qualquer viver.
Isso faz parte da minha segurança
Quero sua vida sem história
Quero toda a sua memória...Porque se um dia você for embora só restará vestígios meus, restos meus, sonhos meus... meus restos, meu estúpido egoísmo, meu sangue ralo, não misturado. Só restará um sono vago, um delírio, uma fumaça sem fogo. Restará osso sem sangue, carne sem gosto, um sentimento deposto, mal gasto, inventado, dilacerado... abortado.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008













o corpo é a casa, assim como o quarto é o mundo.
enchendo o baú de cartas e esvaziando o coração;
sempre o barulho do trem, o trilho infinito.














segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008




Meu coração sente muita vida ainda...
Floresce com a brisa o meu amor por você
Nem o sol da manhã poderá me dizer
A sua liberdade me faz sentir frio
Meu coração sente muita vida ainda...
Aflige-me pensar no futuro, sem saber o que vai acontecer
Os caminhos são lindos quando se navegam neles
Ao seu lado, penso em sobreviver
Mas não se sabem de cor todas as curvas desse rio
E nem se todos os passeios continuarei a fazer sobre esse lindo navio
Penso muito em aproveitar
Amar, amar, amar
Mas, penso tanto, que não sei se realmente amo
Ou, se só mesmo penso que amo...
Onde será que acharei a resposta?
Serão, minhas lágrimas, nada mais que pensamentos de dor?
Sem a lucidez concisa, somente ela, pura e sem receio, que chega, abre a porta de meu peito e se aloja, sem dizer quando se vai?
Será meu amor, realmente amor?
Aquele lindo, que sempre imaginei, ou imaginei tanto que queria, que é ilusão de amor.
Ele não adentrou o meu peito e se instalou? Quero o amor aqui, mesmo sem saber quando ele resolverá partir, o quero adentrando o meu peito, sem pedir licença...
Quero o amor de verdade, sem falsidade, ou imaginação
Quando será que ele voltará?

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008







vai lá, caminha até a beira da escada e vê se se equilibra. do que temo? quando cheguei um rato estava morto num degrau da escada, estava sob a chuva, senti nojo e dó, o nojo não era de mim, não era verdadeiramente meu, era um nojo de alguém, mas ainda sim não estragou meu apetite. embrulhei um pedaço de carne com o pão e comi sem sentir nada, de repente (já era de se esperar) a imagem do sonho me vem à cabeça e tenho vontade de chorar, mas disfarço, não estou sozinho, e bem... todos choram, uma hora ou outra alguém chora, não me levem a mal, não gosto de chorar na frente dos outros. ele parecia se sentir mal, talvez quisesse chorar, mas não queria que fosse na minha frente. não queria me sentir enojada ao ver o rato morto, não queria que ele pensasse que eu pensasse que aquele lugar era inabitável, é bastante úmido, como todo o resto, mas tinha seu conforto no lençol da cama, na toalha do banho e no capacho (mesmo que gasto) da porta da entrada, que além de você destrancar com certa dificuldade, é preciso levantá-la delicadamente, não, alí não entraria qualquer rato que fosse. não gosto de parecer desinteressado quando não estou, por isso digo que ontem eu tentei dormir depois da embriaguez da madrugada, em vão. foram trinta ou quarenta minutos sufocados em que parte do tempo dividi minha cabeça em cima do travesseiro e outra diretamente no colchão. as imagens com o pai que em breve morreria deixou-me esgotado, acordei com o rosto úmido, e antes disso, antecedendo estas imagens, eu me via sangrar ininterruptamente pelo nariz, era um sangue pouco espesso bastante vermelho. crianças levavam-me para um banheiro antigo com poças d'água, mas com o piso avermelhado as poças tornavam-se assim da mesma cor. era um enorme banho cheio de crianças que se beijavam e se masturbavam, enquanto mãos tiravam-me as roupas, desabotoavam minha calça e camisa. eu me senti velho de participar daquilo tudo, ou tivesse tido medo de ser tão pervertido. saí apreensivo contando minha idade em voz alta, não que eles quisessem saber, mas eu quis dizer. gosto de como trata a carne, é voraz. é como se soubesse que esse alimento já morto não pode mais do que a própria aparência morta e que seu aspecto sadio só existe devido a métodos duvidosos para disfarçar seu real processo de putrefação. o cheiro da carne e do pão, que embrulha suas deformidades, nervos e músculos, como uma pele. ele parece cansado, e como é branco! as veias saltadas perto dos punhos. demora a se deitar, tira os sapatos e desaba, eu apago as luzes e não digo nada. mais uma noite em que converto tudo o que sinto em explosões cerebrais, hemorragias e contrações abdominais, tento-me manter calmo, estou na beira do degrau, vejo o rato morto enxarcado, tem a cabeça pequena desprendida do tronco. queria que ela não visse, mas respeito os mortos e sei que eles têm sua importância como mortos e devem ser vistos.





terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008




E talvez permanecesse errante, coagulada.
[afim de vê-la claramente, em poucas palavras]




em noites assim em que tenho vontade de derrubar paredes e de lhe mostrar minha insatisfação com suas últimas mensagens insossas penso que minha vida até agora foi um esboço. o que vivi até agora é um esboço. tento me organizar no tempo, em vão. meu presente/futuro é virtual. esboço repito todo o tempo, meu vocabulário me reduz, não sei o que fazer além de dizer que esboço uma quase vida.



ao esboço de hilda hilst em rútilos.


quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Pequenas bobagens que me enlouquecem


Em dia de chuva: quem tem guarda-chuva tem que andar na chuva, certo? Então porque raios eles insistem em andar sob os parapeitos? Deixe livre para quem não tem! Isso me enlouquece! E aqueles imbecis que passam de carro bem na sarjeta e te molha dos pés a cabeça? Não preciso nem dizer o que eu grito pra eles, né? Porque diabos as pessoas nunca deixam livre o lado esquerdo das escadas rolantes para quem está atrasado? Nunca pensam nos atrasados! Não existe senso de coletividade!! E quando pedimos licença, ficam putos ainda! Oras, posso com isso? E quando você quer sair do trem e os animais que estão querendo entrar não esperam você descer e te empurram pra dentro de volta... Nossa, isso me enfurece! Falar alto dentro de ônibus... Mas não é um alto, é berrando! Escândalo! Não se pode nem ler ou dormir mais nos coletivos! Acho uma falta de respeito você, com a sua turma, ficar cantando, gritando, gargalhando dentro dos ônibus. Ainda no ônibus... Pô! Tá cheio? Tira a porcaria da mochila das costas pra passar no corredor! É um absurdo aquela pessoa que passa com aquele caroço nas costas e vai levando tudo e todos como se fosse um tsnunami! A minha vontade é de dar um chute! Homens deselegantes (pra não falar outra coisa) que falam os maiores absurdos pras mulheres que passam! Aqueles bem nojentos! Cantadas inteligentes, vá lá... Mas podridrão? Nossa, meu sangue ferve, vontade de virar a mulher maravilha e dar uma joelhada no saco, mas aquela joelhada fatal, manja? Pra destruir o sujeito! Porque homem deixa a tampa da privada suja? No trabalho isso acontece o tempo todo! Outra vez eu sugiro que as pessoas pensem que não estão sozinhas no mundo e que outras pessoas compartilham de alguns lugares em comum! Será que é tão difícil assim deixar de olhar o próprio umbigo e ser um pouco mais cuidadoso e higiênico? Ah, se alguém faz isso na minha casa... Eu aposto que na casa deles eles não fazem isso! Jogar papel no chão eu já desisti de ter esperança nesse quesito e nem me espanto mais ou me enlouqueço! Agora jogar uma lata de cerveja pela janela do carro numa estrada a mais de 110km/h... Bom, a sorte é que o motorista era bom! Realmente o ser humano não sabe conviver. E que mania as pessoas têm de entrar no msn e deixar marcado OCUPADO. Putaqueopariu! Tá ocupado? Não entra! Fica offline! Ficar ausente, ou um ‘volto logo’ tudo bem, mas ocupado? Ah! Me desculpe... Acho total nonsense! Vocês devem estar pensando que eu sou uma rabugenta! Para essas coisas eu sou mesmo! E tenho dito: isso tudo me tira do sério!

Alguma objeção? Reclamem aí embaixo!

(Foto: Fabiola Fernandes )

terça-feira, 29 de janeiro de 2008























por mais que eu fuja, não consigo despistar quem me persegue. não pára de chover e eu tenho certeza que hoje eu não passo da meianoite. entristeço-me pensando que não poderei mais ler juan gelman e seu poema sobre a chuva. lluvia. em relação aos outros, mando um abraço. talvez um abraço soe mórbido, não gostaria de receber um abraço de um morto, até porque não gosto do gosto da palavra que relembra algo doloroso, não gosto do que me faz lembrar de um gesto, ou de um toque, um toque como um abraço. portanto, deixo somente essas palavras aqui, e talvez agora você passe a se lembrar de como eu escrevia, de como eu escrevi.






Tênis x Frescobol

"Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.

Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzsche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: ‘Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: ‘Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a sua velhice?\' Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.’

Xerazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme O império dos sentidos. Por isso, quando o sexo já estava morto na cama, e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa, conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites. O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fossem música. A música dos sons ou da palavra - é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer. Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: ‘Eu te amo, eu te amo...’ Barthes advertia: ‘Passada a primeira confissão, ‘eu te amo\' não quer dizer mais nada.’ É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: ‘Erótica é a alma.’

O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir a sua cortada - palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra - pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é como ejaculação precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir... E o que errou pede desculpas; e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos...

A bola: são as nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho pra lá, sonho pra cá...

Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Camus anotava no seu diário pequenos fragmentos para os livros que pretendia escrever. Um deles, que se encontra nos Primeiros cadernos, é sobre este jogo de tênis:
‘Cena: o marido, a mulher, a galeria. O primeiro tem valor e gosta de brilhar. A segunda guarda silêncio, mas, com pequenas frases secas, destrói todos os propósitos do caro esposo. Desta forma marca constantemente a sua superioridade. O outro domina-se, mas sofre uma humilhação e é assim que nasce o ódio. Exemplo: com um sorriso: ‘Não se faça mais estúpido do que é, meu amigo\'. A galeria torce e sorri pouco à vontade. Ele cora, aproxima-se dela, beija-lhe a mão suspirando: ‘Tens razão, minha querida\'. A situação está salva e o ódio vai aumentando.’

Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão... O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.

Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor... Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim...(O retorno e terno, p. 51.)"

Rubem Alves

domingo, 27 de janeiro de 2008






estive de ressaca. só Homero para saber da grandeza que digo. precisava reencontrar um amigo, que no passado tive grande elo, mas que agora nós temos tudo, menos um elo. ainda assim resolvi promover um encontro, já que a única coisa que me resta é investir nas pessoas, porque querendo ou não, elas são o que fica, mesmo eu tendo apego por objetos de valor e gosto duvidosos. a empreitada era simples, sair para dançar, bom... se não fosse a bebida, talvez eu tivesse sido menos ridículo; meu corpo já estava intoxicado e meu sistema nervoso fodido, eu ria e falava coisas vulgares para homens e mulheres, estava deplorável, fazia do chão qualquer amigo, fazia amigos do chão; ria de anões; desrespeitava taxistas; assoviava para garotas e zombava de casais que brigavam, eu estava impossível. queriam beijos e eu só dava abraços. no caminho de casa dormi no trem, fui parar em outra cidade, minha cabeça estava explodindo, e quando deitei na cama esmurrei o travesseiro até dormir. acordei vomitando uma espuma estranha, enrolei os lençóis e disfarcei.
eu não vivo sozinho.




Faltando um pedaço


Num quarto a meia luz, de uma noite qualquer ele lembra do passado. Na penumbra da sua alma confusa, e angustiada, vive de relembrar um grande amor.
Na estante, as lembranças: Discos que ouviram juntos, fotos de antigos amigos...apenas o “tic-tac” do relógio quebra seu silêncio. Em seu pensamento, martelam as boas lembranças, que misturadas com a realidade se transformam em imagens selvagens, irreais, confusas. A todos, ele convence que gosta de viver essa misantropia, e que isso lhe trás um certo ritmo tranqüilo, que lhe é muito agradável e peculiar. Engana a todos, menos a si mesmo, o seu coração que insiste em bater erroneamente pelos cantos, e mesmo estático, deitado em sua cama, corre freneticamente em suas veias o desejo de ter esse alguém, ou um outro alguém...Se sente confuso, cansado, ansioso, por algo que não vem, precisa compartilhar esse sentimento com alguém.
O seu mundo interior era a dúvida e a incerteza envolta na penumbra e no marasmo, pensa não ter perspectivas. De repente o telefone toca, rompendo o silêncio, trazendo-o de volta a realidade e pensa ansioso: -Quem será?
Um misto de alegria e medo o impulsionam e o fazem caminhar até o aparelho. A pulsação acelera estabelecendo novamente um conflito entre a ansiedade de rever alguém, ter alguém...O coração dispara, as mãos geladas e tremulas se estendem e tiram o telefone do gancho...Por um momento acredita ser a mulher que ele tanto deseja! Quem sabe?
-Alô?
A ligação era um engano.
Ele deita. Cansado. Decepcionado. Se sente bobo. Ri de si mesmo... E adormece.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Convite

Vc chegou aqui por um convite!
Se aceitar, coloque suas histórias ou qualquer outra coisa!
Sinta-se à vontade!
Abração!